Nasa-Geleiras

 


Às vezes fico calado ouvindo o meu silêncio
Às vezes penso
Que o tempo
É um remédio mortal
Então eu prefiro o veneno
Que sai da sua boca
E me faz tirar a roupa
Da minha alma
E me acalma
E me faz confessar
Os meus pecados
Às vezes fico meio assim
Ilhado
E eu vejo nos seus olhos
Gotas de orvalho
Porque seu coração
Sofre a minha dor
Porque o amor
É uma ilha sem água
Um rio sem alma
Que desagua
Em qualquer lugar
Sem avisar
Às vezes fico calado ouvindo meus medos
E de repente
Você me faz confessar
Meus segredos
Que só servem pra ferir você
Mas quando amanhecer
Vou encontrar uma maneira
De te ver sorrir
Mas agora estou aqui ilhado
E o portal está fechado
Mas vou esperar o nosso jardim florescer
Às vezes fico ouvindo o  meu silêncio
E por alguns momentos
O tempo não importa
E a minha vida torta
Nem parece existir
Mas preciso continuar aqui
Até nossos medos fugirem de nós
Quero ouvir a sua voz
Com um sorriso largo na cara
Coisa rara
Eu sei que a nossa vida nunca foi um sonho
Também sei
Que nossos sonhos nunca foram vida
Porque eu escolhi o caminho errado
Logo, eu sou o culpado
Agora sofro vendo você chorar
E choro vendo você sofrer
Mas não quero deixar morrer
O pouco que restou de nós
Às vezes fico ouvindo meu silêncio
E ele me diz
Que nada, é nada do que eu penso
E que o tempo é uma navalha
Uma fornalha
Queimando sem parar
E mesmo colocando cada coisa em seu lugar
Não tem como voltar
Agora vejo
Há sempre uma estrada ali em frente
Com fantasmas esperando a gente
Pra nos devorar
Então preciso sonhar
Sonhando eu fujo
Me escondo em labirintos sujos
Sei que preciso parar de ouvir meu silêncio
Porque o que eu penso
É a razão da ausência do seu sorriso
E por tudo isso
Perdão…