É preciso flores
Com as cores dos amores
Pra que os dias sejam o que a gente quis
É preciso flores
Pra arrancar as dores
E revelar os sonhos
Pra gente ser feliz
Um amor me abraça
E me laça com a sua juventude
É um banho de açude
O outro me encoraja
Me levanta, me ensina
Espalha a fumaça
Da minha vida de menino
Dois amores
Um destino
Um é uma armadilha
Um segredo dividido
O outro é um abrigo
Que também quero
É onde eu fico
Um é novidade
Insanidade
O outro antiguidade
Um é pura emoção
Sonho, ilusão
Coração
O outro uma história
Derrotas e vitórias
Pé no chão
Amor de irmão
Carinho, tesão
Um é uma reencarnação
Uma viagem
Com lembranças, imagens
Miragens
De outra vida que vivemos
O outro um encontro
Um acaso
Numa rua, numa sala de espera
Uma fera indomável
E não menos importante
Um sonho delirante
Um baita diamante
Uma força de gigante
Um tem um olhar com sabor de mel
Uma boca com um sorriso com a cor do céu
O outro Tem a firmeza das palavras
Uma certeza que embriaga
E me mostra a direção
Um é um rio cheio de água
Uma voz que me acalma
Uma ponte, uma direção
O outro, uma mão
Que me afaga
Os degraus da minha escada
Meu corrimão
Dois amores
Com flores
Com as cores das vidraças
E eu vejo quando o carro passa
E me amassa
E eu caído na beirinha da estrada
Sou pouquinho, quase nada de chão
Sou a fumaça do seu cigarro
Um carro, um tiro sem direção
Sou dor de mãe perdendo a cria
Loucura agonia
Rua sem saída
Corpo sem vida
Vendo a avenida
Por onde fugiu a vida
Não vejo a cidade
Onde esconde a felicidade
Dois amores
Com flores numa caixa
Um eu procuro
Mas se esconde, se afasta
Então eu me perco
E o outro me acha
E espalha a fumaça
Do meu olhar
E vendo que está secando meu rio
Me oferece o mar.